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Um voto na esperança



"Um político pensa na próxima eleição.
Um estadista, na próxima geração."

(James Clarke)


Nasci e cresci ouvindo a expressão: “O Brasil é o país do futuro”. Um lugar abençoado sobre o qual não se abatem tragédias climáticas, onde a terra devolve com gratidão o que nela se planta, onde pessoas das mais diversas origens convivem sem conflitos raciais.
 
Li, acompanhei ou participei dos mais diversos acontecimentos. O Getulismo, a política desenvolvimentista de JK, a renúncia de Jânio, os Atos Institucionais, o dito inconcluso ano de 1968, o Milagre Econômico, a Abertura Política, a redemocratização, as mudanças de moeda, o impeachment de Collor, os anos FHC.
 
Pude observar que ao longo de 50 anos produzimos um país para poucos. A décima maior Economia do mundo amarga uma 73a posição no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), indicador elaborado pela ONU que mede a qualidade de vida das pessoas em vários países (173 neste ano de 2002) considerando renda per capita, saúde e educação. Estamos atrás dos países desenvolvidos, dos tigres asiáticos, das antigas repúblicas socialistas (que apresentam bons indicadores de saúde e educação) e dos produtores de petróleo (cuja alta renda per capita confere-lhes um índice favorável). Somos superados também por países como Tailândia, Colômbia, Panamá, Costa Rica, além de Argentina, Uruguai, Chile e México, ente outros.
 
Como se não bastasse, outro indicador, ah... este sim, coloca-nos próximo ao pódio. Trata-se do índice de Gini, que mede a concentração de renda. Imagine uma régua com escala variando de 0 a 1. Na posição 0, todos os habitantes têm a mesma renda, uma situação tanto ideal quanto hipotética. No outro extremo, a posição 1 indicaria que toda a renda do país estaria nas mãos de uma única pessoa, evidentemente outra situação teórica. Pois bem, nosso coeficiente está em 0,607, conferindo-nos a quarta colocação neste ranking, no qual somos vencidos apenas pelos paupérrimos africanos Serra Leoa, República Centro-Africana e Suazilândia.
 
Não quero parecer teórico. Mas os números acima estão refletidos na tragédia social que nos abate hoje. Desemprego, violência, crianças nas ruas, epidemias, são subprodutos de um mal maior: o modelo econômico adotado por nossos governantes e a gestão pública praticada neste país. O Estado brasileiro se desenvolveu e esqueceu a nação, esqueceu o cidadão.
 
Acredito que meio século deve ter sido suficiente para sepultar a ideia de “fazer o bolo crescer para depois repartir”. O Brasil já não pode mais ser o país do futuro porque está corroendo o entusiasmo e a esperança no seio de cada cidadão. E esperança é decidir pela vitória em cada circunstância que a vida nos coloca. Assim, ou expulsamos de dentro de nós a alma da derrota ou não mais precisaremos lutar. Parafraseando Shakespeare: “Nós sabemos o que somos, mas não o que podemos ser”.
 
O professor Celso Furtado disse há quase uma década: “Nunca estivemos tão longe do país com que sonhamos um dia”. Para um jovem universitário, na ocasião, estas palavras cortaram-me o coração tal qual a brisa fria que afronta nosso rosto desprotegido numa noite de inverno. Mas a mente jovem cultiva o dogma de que uma utopia é uma realidade em potencial.
 
As eleições de outubro próximo simbolizam uma vez mais um marco na condução dos rumos deste país. Refiro-me ao pleito presidencial e aos demais, em todos os níveis (não prospera o Gabinete sem o Parlamento). Democracia não se fala. Pratica-se. Cada povo tem o governo que merece e nenhum governo pode ser melhor do que a opinião pública que o apóia.
 
Uma vez mais, vemos desfilando candidatos que prometem construir pontes mesmo quando não há rios. Pessoas que serão eleitas não pela defesa de argumentos, mas pela venda eficiente de ilusões. Os homens são todos parecidos em suas promessas, só diferem nas realizações. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza. O roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito poder, os Alexandres. Todo homem é uma caricatura da época em que vive; poucos são capazes de ter ideias além de sua época. Poucos têm perfil para serem estadistas.
 
Há um provérbio japonês que diz: nenhum de nós é tão inteligente quanto todos nós. O simples fato de eu e você, leitor, dispormos de acesso a um computador e à internet, credencia-nos a compor a base mais estreita da pirâmide. Por conseguinte, impõe-nos uma responsabilidade cívica de promover o debate como formadores de opinião que somos.
 
A felicidade baseia-se na eliminação de três fatores principais: doença, pobreza e conflito. Embora o mundo de hoje imponha um ideal de autossustentação, por meio do qual as pessoas são impingidas a prescindir de seus governos, especialmente nos países subdesenvolvidos, a regulação estatal será sempre essencial para aplacar o sofrimento dos pequenos ante as tolices cometidas pelos grandes. Camponeses pobres, reino pobre. Segurança para alguns, insegurança para todos. Ninguém come macroeconomia.
 
Se a igualdade é improvável, que as desigualdades sejam amenizadas. Se a justiça plena é inatingível, que as injustiças sejam abrandadas. Se as ideias são divergentes, que os conflitos sejam arrefecidos. Sendo nosso povo tão tolerante, que a esperança não lhes seja extirpada.
 
A história da humanidade é cheia de vidas desperdiçadas. Amores que não geram relações enriquecedoras, talentos que não levam a carreiras de sucesso. Ter objetivos evita o desperdício de tempo, energia e dinheiro. Nosso objetivo deve ser transformar a tristeza em alegria, o desânimo em persistência, o descrédito em esperança, os obstáculos em oportunidades.
 
Como disse Drummond, “Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo”. O futuro dependerá daquilo que fizermos no presente. O passado é lição para refletir, não para repetir. E a maldade pode até bater à nossa porta, mas a encontrará fechada, pois saímos para fazer o bem.
 
 
PS: O texto utiliza frases de François Quesnay, La Fontaine, Mahatma Gandhi, Mário de Andrade, Molière, Padre Antônio Vieira, Roberto Shinyashiki, Roosevelt, Voltaire e William Andrade.



Data de publicação: 19/09/2002


Tom Coelho é educador, palestrante em temas sobre gestão de pessoas e negócios, escritor com artigos publicados em 17 países e autor de nove livros. Contatos: atendimento@tomcoelho.com.br. Visite www.tomcoelho.com.br, www.setevidas.com.br e www.zeroacidente.com.br.




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