Contrate uma palestra!

e-mail: | formulário de contato

Voltar a página inicial Home     Entre em contato Contato     Telefones: (11) 3075.3040 / (11) 99983.8948
Tom Coelho - Palestras e Treinamentos Tom Coelho - Palestrante
Tom Coelho Palestras e Treinamentos SIPAT e
Setor Público
Educação e Sistema S Artigos e Publicações Clientes e Parceiros Imprensa Responsabilidade Social
Artigos       Livros       Vídeos       Parábolas


Artigos e Publicações

Responsabilidade bancária



"A melhor coisa do mundo é um banco bem administrado,
a segunda melhor do mundo é um banco mais ou menos administrado,
e a terceira melhor coisa do mundo é um banco mal administrado."

(Miguel de Oliveira)


O lucro dos bancos bateu novo recorde histórico no Brasil. Fruto de uma política econômica que há mais de uma década privilegia o investimento no capital financeiro, em detrimento do capital produtivo, as instituições bancárias estão legitimamente aproveitando-se das regras do jogo para ganharem mais.
 
As receitas com serviços bancários, ou seja, oriundas da cobrança de tarifas, vêm galopando a passos largos desde o fim da crise inflacionária. Naqueles tempos, não havia motivos para se cobrar pelo fornecimento de talonários de cheques, emissão de extratos ou realização de uma transferência de recursos para terceiros. Afinal, vivíamos sob a égide de uma inflação que bateu em 3% ao dia. O importante era realizar uma aplicação no overnight e garantir o poder de compra da moeda no dia seguinte.
 
O advento do Plano Real ensinou aos bancos outras formas de se ganhar dinheiro. E eles aprenderam muito bem a lição. Atualmente a receita média dos bancos apenas com tarifas é suficiente para pagar, com folga, toda sua folha de salários. O conjunto dos sete maiores bancos no país faturou R$ 19,8 bilhões em 2003 apenas com tarifas, cifra elevada para R$ 22,4 bilhões em 2004. As despesas com pessoal, por sua vez, caíram de R$ 18,7 bilhões em 2003 para R$18,3 bilhões no ano passado. O Banco Central assiste passivamente a este filme. Há incidência de tarifas até sobre valores depositados – nada surpreendente para quem passou a cobrar inclusive pelo estacionamento.
 
Contudo, as tarifas não são, evidentemente, a única fonte de receita dos bancos. Os ganhos com “tesouraria”, ou seja, investimento em títulos do governo federal, aqueles remunerados pela famigerada Selic, representam nada menos que 36% do total de lucros do sistema bancário.
 
Mas a maior receita provém das operações de crédito. A concessão de empréstimos representou 43% do faturamento bancário no primeiro semestre de 2004. Aqui, a grande alavanca atende pelo nome de spread, isto é, a diferença entre o prêmio pago pelos bancos para captar dinheiro numa ponta, junto a outras instituições financeiras ou a poupadores, e o quanto se cobra dos tomadores destes recursos, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas.
 
Todavia, não tenho a pretensão de usar deste espaço, nesta oportunidade, para falar sobre os ganhos dos bancos ou sobre o fato de termos as mais elevadas taxas de juros e spread bancário do mundo. Chamou-me a atenção o alerta de um executivo do setor financeiro, Filiphe Falchioni**, para o que ele denominou de ausência de “responsabilidade bancária”. Afinal, não bastassem todas as receitas apresentadas anteriormente, os bancos tornaram-se também, grandes lojas, com produtos e serviços dispostos em prateleiras, tais como seguros, planos de previdência privada e investimentos diversos.
 
Os profissionais, por sua vez, tornaram-se, todos, vendedores. A palavra de ordem é “reciprocidade”. Você tem um empréstimo concedido apenas se adquirir um titulo de capitalização. Falta-nos apenas o segurança da empresa terceirizada oferecer-nos um seguro de vida para passarmos pelo detector de metais...
 
A grande preocupação reside no fato de que somos um país de desinformados. Se a matemática já é disciplina considerada das mais difíceis no ensino fundamental, o que se dirá de matemática financeira, que chega ao cúmulo de ser tratada como matéria optativa em cursos de graduação em Economia, Administração e Contabilidade. A maioria dos empresários ignora como formar preços de venda. A maioria dos consumidores desconhece o poder predatório da capitalização composta, ou seja, da incidência de juros sobre juros.
 
Sob esta ótica, os bancos contribuem diariamente para o agravamento de nossa distorcida distribuição de renda, vilipendiando o bolso de cada um de seus correntistas na medida em que concedem “benefícios” como cheque especial e crédito rotativo no cartão de crédito, a taxas elevadíssimas, sem ensinar a seus clientes como utilizar adequadamente tais recursos.
 
Em uma época na qual a responsabilidade social é preconizada como atributo de organizações conscientes e alinhadas aos propósitos de um novo mundo, é justo questionarmos por onde anda a responsabilidade bancária. É nobre a criação de Fundações que assistam a crianças carentes. É admirável o patrocínio a atividades culturais. Mas é necessário ensinar a cada novo correntista como gerenciar seu orçamento doméstico, como decidir entre uma compra à vista e outra parcelada, como optar por investimentos, por menores que sejam, mas que realmente lhes tragam alguma rentabilidade futura. E, por que não dizer, ofertar crédito com taxas de juros sociais, reduzidas para atender a pessoas de baixa renda.
 
 
PS: A vida de um escritor é balizada por pautas e prazos. Às vezes, temos a liberdade de escolher os temas que desejamos abordar, mas evidentemente não podemos determinar quando serão publicados. Este artigo, por exemplo, foi redigido no dia 4 de março último, porém sua divulgação estava programada apenas para este mês de maio a partir da revista Venda Mais, com a qual tenho o compromisso de fornecer conteúdo editorial inédito. Surpreendentemente, por ocasião do último Dia das Mães, o Banco Itaú S/A apresentou uma campanha de lançamento de uma cartilha denominada “Guia para uso consciente do crédito”. Trata-se exatamente da demanda postulada neste artigo. Trata-se propriamente do alerta feito pelo amigo Filiphe Falchioni. Trata-se certamente de exercer a propalada “responsabilidade bancária”. Como não sou jornalista, não me entristece o fato de ter perdido o “furo de reportagem”. Alegra-me o fato de uma das maiores instituições financeiras do país ter adotado uma iniciativa inédita. Parabéns ao Itaú e que sigam seu exemplo!
 

** Filiphe Falchioni, formado em Comunicação Social pela PUC-Campinas, pós-graduado em Marketing pela METROCAMP e em economia pela FGV–EASP/SP, é executivo do setor financeiro. Contatos através do e-mail f_falchioni@yahoo.com.br.
 


Data de publicação: 19/05/2005


Tom Coelho é educador, palestrante em temas sobre gestão de pessoas e negócios, escritor com artigos publicados em 17 países e autor de nove livros. Contatos: atendimento@tomcoelho.com.br. Visite www.tomcoelho.com.br, www.setevidas.com.br e www.zeroacidente.com.br.




Artigos relacionados

  • O país da corrupção
    A corrupção não está restrita ao cenário político-econômico. Ela está presente em nossa cultura, em ações ilícitas praticadas em busca de benefícios pessoais.
     
  • Brasil doente
    O maior problema de nosso país é a classe política, voltada em sua maioria para interesses próprios, sem qualquer vocação para contribuir com a sociedade.
     
  • Crise de liderança
    A maior de todas as crises atuais é a falta de lideranças, seja no setor público, nas empresas e mesmo no âmbito familiar.
     
  • Feliz 2018!
    Vamos colocar clichês de lado e encarar a realidade: estamos enfrentando uma crise econômica e política que não será revertida em poucos meses.
     
  • Corrupção padrão Fifa
    Está se tornando impossível falar sobre ética, porque não se pode argumentar sobre o que não existe.
     
  • Mundo desigual
    Vivemos em um mundo de desigualdades, no qual 67 pessoas detém o mesmo patrimônio que metade da população mundial.
     
  • Os deveres do poder público
    O poder público tem terceirizado aos cidadãos aquelas que são suas atribuições fundamentais.
     
  • Gestão empresarial em tempos de crise
    Sete passos para impulsionar os negócios em momento de retração da atividade econômica.
     
  • Educação política
    Estadistas para o futuro somente poderão ser forjados em uma nova escola.
     
  • Vergonha da democracia
    O nível dos parlamentares e dos candidatos a cargos eletivos envergonha nosso sistema democrático.
     

Procura de artigos


Categorias


Traduzir / Translate



Ao redor do mundo


Hoje os artigos de Tom Coelho são publicados regularmente por mais de 800 veículos, com divulgação em 17 países: Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Uruguai, Venezuela, Panamá, México, Estados Unidos, Portugal, Espanha, Inglaterra, França, Itália, Cabo Verde e Japão.

Brasil Argentina Bolívia Chile
Colômbia Uruguai Venezuela Panamá
México Estados Unidos Portugal Espanha
Inglaterra França Itália
Cabo Verde Japão


Clientes

Patrocinadores

ComTexto Promo Press - Gráfica off-set e digital Qualidade em Quadrinhos Siamar - Recursos para treinamento Success Tools - Soluções para você e seu negócio TTI SUCCESS INSIGHTS – Pensou em assessment, pensou na gente TW Latin America - Soluções para internet
tom coelho © 2019 - todos os direitos reservados.

Desenvolvido e
hospedado por
tw Soluções para internet
Servidores dedicados, em nuvem e desenvolvimento
www.tw.com.br