Contrate uma palestra!

e-mail: | formulário de contato

Voltar a página inicial Home     Entre em contato Contato     Telefones: (11) 3075.3040 / (11) 99983.8948
Tom Coelho - Palestras e Treinamentos Tom Coelho - Palestrante
Tom Coelho Palestras e Treinamentos SIPAT e
Setor Público
Educação e Sistema S Artigos e Publicações Clientes e Parceiros Imprensa Responsabilidade Social
Artigos       Livros       Vídeos       Parábolas


Artigos e Publicações

Maratona da vida (2003)



"Brasil, qual é o teu negócio?"
(Cazuza)


A cena é velha conhecida de todos nós. O semáforo fecha, os carros param e uma pessoa, jovem ou idosa, circula pelo corredor formado por entre os veículos depositando objetos de toda ordem sobre o espelho retrovisor: balas, canetas, flanelas, adesivos. Enfim, qualquer coisa que possa receber o valor de R$ 1,00 estampado num pedaço de papel xerocopiado com mensagens como “estou desempregado”, “garantir o sustento de minha família” e “Deus lhe abençoe”.
 
Dia destes flagrei-me conversando com meu lado mais cartesiano, aquele que sublima a matemática existente por trás das notas musicais e da geometria das construções. Os números, quando não manipulados, jamais mentem. O cálculo dispensou uso de máquina: observei um garoto percorrer dez veículos. Considerando-se uma distância média de dois metros e meio por automóvel (seu comprimento acrescido da distância mantida para o carro seguinte), temos uma distância percorrida de cerca de vinte e cinco metros. Porém, o jovem percorria, a cada semáforo fechado, quatro vezes esta distância para distribuir, retornar, recolher e reposicionar-se no ponto de partida. Ou seja, cem metros por semáforo fechado. Tomando-se um intervalo de dois minutos entre duas paradas, o trajeto era percorrido trinta vezes em uma hora. Fazendo-o por seis horas ao longo do dia, temos a surpreendente marca de 18 quilômetros diários. Uma meia maratona!
 
Sem preciosismos, podemos julgar o garoto do exemplo acima muito lépido e arguir que, na verdade, o total percorrido seria metade do exposto. Continuamos com nove quilômetros diários, sob sol e chuva, descaso e arrogância, medo e intolerância.
 
Este é um exemplo cristalino da economia informal que toma conta deste país. Há toda uma indústria paralela por trás desta mendicância: do fornecedor de balas, canetas, flanelas e adesivos, ao fornecedor do papel xerografado e da embalagem plástica que compõe o tal kit.
 
É evidente que sempre haverá quem alegue que tais pessoas gostam de exercer esta “profissão”, que na verdade não querem procurar um “emprego” legítimo. Ainda que isso seja um fato, em meu entender não generalizado, a resposta a asserções deste gênero veio estampada nas manchetes dos jornais do dia 24 de junho de 2003. Tumulto no Rio de Janeiro onde 15 mil pessoas se espremeram como em latas de sardinhas em uma fila para se candidatarem a vagas, incertas em quantidade e data para início, para atuarem como varredores de rua – garis. Por um salário equivalente a US$ 7,00 diários, pessoas com nível superior de instrução acamparam por até dois dias para pleitear a segurança de um emprego.
 
Diante deste quadro, pode parecer contestação filosófica, bravata pseudointelectual, mas não há como deixar de se questionar: Que diabos de país estamos construindo?
 
Em 19 de setembro de 2002 escrevi um artigo intitulado “Um voto na esperança”. Não foi um texto muito difundido, até porque perecível diante da proximidade das eleições. Nele eu falava sobre a retórica do “Brasil, país do futuro” e ilustrava nosso atraso socioeconômico representado pela 65a posição no ranking de desenvolvimento humano (IDH-ONU) e a majestosa 4a colocação no Índice de Gini, que mede concentração de renda, no qual perdemos apenas para os paupérrimos africanos Serra Leoa, República Centroafricana e Suazilândia.
 
Pois bem. Foi com curiosidade, e alegria, que vi após a eleição o presidente Lula proclamar que “a esperança vencera o medo”. E eu, revestido de esperança, aguardei a virada do ano e os famigerados cem primeiros dias de governo, acreditando que algo mudaria.
 
Porém, 176 dias se passaram. E em nome da Macroeconomia, da credibilidade e do capital internacional, da gestão responsável das contas públicas e mais uma série de argumentos, nada mudou. Não pretendo debater Economia, pois academicamente abdiquei da mesma em favor de outros temas que me são mais aprazíveis. Compreendo o porquê de muitas ações e medidas tomadas, justificáveis num primeiro momento, porém não mais agora. A falta de ousadia mínima, a hesitação subserviente e o medo contumaz conduzirão à retomada do discurso de “dividir o bolo depois”. Só que, até lá, todos terão morrido. De fome, de desilusão, de desesperança.
 
Pouco me importa os rótulos. Sou, aliás, contrário ao uso deles. Podem chamar de Estado Socialdemocrata, de Estado Keynesiano, de Estado do Bem-Estar Social. Chamem como quiserem. Se desejarem uma sugestão, qualifiquem de Estado Empreendedor. Mas que se faça algo!
 
A iniciativa privada não tem mais fôlego para, com uma carga tributária superior a 40%, executar ações que cabem ao Governo. As empresas de grande porte fecharam 400 mil postos de trabalho ao longo dos últimos dez anos e respondem por apenas 2,3% da força de trabalho ocupada. São as pequenas e médias empresas que sustentam este país e que de forma assistencialista procuram conceder benefícios aos seus funcionários e adotar entidades por uma questão de ética e responsabilidade social. Alguns dirigentes são maçons, outros rotarianos, outros contribuem em suas igrejas. Fazem o que o Estado não faz – mas deveria. Gastam-se bilhões com juros e com uma série de outras contas, mas recursos não podem ser canalizados para incentivar a produção, para fazer a transposição das águas do São Francisco, para dar oportunidade de trabalho a essa gente boa que só quer trabalhar.
 
Não tenho respostas. Pensei que as tivesse. Também não fiz a chuva grossa. Estou apenas atrás do melhor guarda-chuva. E não apenas para mim...



Data de publicação: 25/06/2003


Tom Coelho é educador, palestrante em temas sobre gestão de pessoas e negócios, escritor com artigos publicados em 17 países e autor de nove livros. Contatos: atendimento@tomcoelho.com.br. Visite www.tomcoelho.com.br, www.setevidas.com.br e www.zeroacidente.com.br.




Artigos relacionados

  • O país da corrupção
    A corrupção não está restrita ao cenário político-econômico. Ela está presente em nossa cultura, em ações ilícitas praticadas em busca de benefícios pessoais.
     
  • Brasil doente
    O maior problema de nosso país é a classe política, voltada em sua maioria para interesses próprios, sem qualquer vocação para contribuir com a sociedade.
     
  • Crise de liderança
    A maior de todas as crises atuais é a falta de lideranças, seja no setor público, nas empresas e mesmo no âmbito familiar.
     
  • Feliz 2018!
    Vamos colocar clichês de lado e encarar a realidade: estamos enfrentando uma crise econômica e política que não será revertida em poucos meses.
     
  • Corrupção padrão Fifa
    Está se tornando impossível falar sobre ética, porque não se pode argumentar sobre o que não existe.
     
  • Mundo desigual
    Vivemos em um mundo de desigualdades, no qual 67 pessoas detém o mesmo patrimônio que metade da população mundial.
     
  • Os deveres do poder público
    O poder público tem terceirizado aos cidadãos aquelas que são suas atribuições fundamentais.
     
  • Gestão empresarial em tempos de crise
    Sete passos para impulsionar os negócios em momento de retração da atividade econômica.
     
  • Educação política
    Estadistas para o futuro somente poderão ser forjados em uma nova escola.
     
  • Vergonha da democracia
    O nível dos parlamentares e dos candidatos a cargos eletivos envergonha nosso sistema democrático.
     

Procura de artigos


Categorias


Traduzir / Translate



Ao redor do mundo


Hoje os artigos de Tom Coelho são publicados regularmente por mais de 800 veículos, com divulgação em 17 países: Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Uruguai, Venezuela, Panamá, México, Estados Unidos, Portugal, Espanha, Inglaterra, França, Itália, Cabo Verde e Japão.

Brasil Argentina Bolívia Chile
Colômbia Uruguai Venezuela Panamá
México Estados Unidos Portugal Espanha
Inglaterra França Itália
Cabo Verde Japão


Clientes

Patrocinadores

ComTexto Promo Press - Gráfica off-set e digital Qualidade em Quadrinhos Siamar - Recursos para treinamento Success Tools - Soluções para você e seu negócio TTI SUCCESS INSIGHTS – Pensou em assessment, pensou na gente TW Latin America - Soluções para internet
tom coelho © 2018 - todos os direitos reservados.

Desenvolvido e
hospedado por
tw Soluções para internet
Servidores dedicados, em nuvem e desenvolvimento
www.tw.com.br